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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Internet, informática e cidadania: alternativas do software livre aos monopólios digitais - PT

10 e 11 de Julho Fábrica Braço de Prata - Livraria Ler Devagar Lisboa

Ação de formação em SPIP (www.spip.net)
10 de Julho 5.ª F 18h30
Com a participação de:
Philippe Rivière - jornalista do Le Monde diplomatique e co-autor do software livre SPIP;
Luís Carlos Feijão - programador informático.

Debate
11 de Julho 6.ª F 21h
Com a participação de:
Philippe Rivière - jornalista do Le Monde diplomatique e co-autor do software livre SPIP;
João Neves – ANSOL

Os programadores da liberdade
Sociedade em rede e sociedade da informação, eis dois epítetos comumente utilizados para caracterizar, por um lado, os processos internacionais de interdependência global – financeira, comercial, etc. – e, por outro, a comercialização e o fechamento do conhecimento e da informação. Paralelamente a este processo central na sociedade contemporânea, encontramos, todavia, um conjunto de movimentos que propõem a criação de alternativas, entre os quais se destaca o do software livre.
O software livre pode ser definido como aquele cujo código-fonte está disponível, sendo possível copiá-lo, modificá-lo e distribuí-lo sem quaisquer autorizações ou pagamentos adicionais. Ou seja, qualquer indivíduo na posse dos conhecimentos necessários pode utilizá-lo e contribuir livremente para o seu desenvolvimento.
O software livre desenvolve-se em rede, numa ampla e complexa rede que engloba coletivos e indivíduos isolados que contribuem, a partir das mais diversas partes do mundo, para a construção coletiva de soluções informáticas. Neste sentido, o desenvolvimento do software livre só é possível porque existe a sociedade em rede, e porque existem infra-estruturas tecnológicas que permitem ligar os diversos pontos do globo entre si, tornando possível o estabelecimento de comunicações sincrônicas entre um e outro ponto do mundo.
Por outro lado, o software livre baseia-se numa alternativa ao fechamento da informação. Resulta de projetos individuais e coletivos, conjugando no seu seio uma multiplicidade de projetos e motivações. O primeiro tipo de projeto associado ao movimento do software livre prende-se com as possibilidades de inovação e criação tecnológica facultadas pelo uso das ferramentas de código-aberto. O software livre, cujos diversos «membros» elaboram mais ou menos autonomamente projetos de desenvolvimento, tradução e adaptação tecnológica, revê-se particularmente na idéia do prazer criativo. Simultaneamente, a inovação tecnológica surge dotada de sentidos e significados, incorporando éticas, ideologias e projetos de mudança. A utilização de software livre reveste-se de um sentido ético e o projeto do software livre é também um movimento social, construído em torno da idéia da liberdade, do acesso e partilha da informação e da independência face a grandes organizações empresariais de tendência monopolista e a estratégias comerciais que controlam arbitrariamente as aplicações informáticas disponíveis no mercado. Finalmente, o software livre está também a tornar-se parte de uma realidade empresarial, podendo ser também visto como um projeto econômico.
O software livre surge assim como um movimento que reage a uma nova morfologia social e a novas lógicas de dominação, e que constrói alternativas no seio da sociedade em rede, em torno de uma das suas questões fundamentais: a circulação da informação, demonstrando que esta rede tem um imenso potencial disruptivo, e que outras informáticas são possíveis.

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